sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dias de La Paz

Parecia que não ia postar mais nada sobre a viagem de à Bolívia, né?

A falta de tempo me impede de atualizar esse blog com a frequência que eu gostaria, mas sempre que possível (nem que seja uma vez ao ano), o farei.

Acontece que eu gosto de escrever muito e só esparramar frases soltas não faz muito meu estilo. Daí prefiro atualizar pouco a não atualizar.

Então vamos ao que interessa: Há alguns dias (meses) publiquei sobre a viagem de ida à Bolívia. Agora eu conto como foi a experiência na cidade de La Paz.

La Paz é uma cidade caótica. Tudo é uma loucura, tudo é amontoado, mas incrivelmente tudo funciona. Depois do choque dos contrastes das primeiras impressões, é possível apreciar o que a cidade tem a oferecer.

Primeira noite, primeiro dia


A noite é longa em La Paz. Não sei porque, mas a impressão é que se demora muito a amanhecer. Na noite após a chegada, quando dormi, acordei umas 2 vezes e antes de abrir os olhos, imaginava que já era dia, mas não. Tudo escuro lá fora. Até que 6 da manhã não consegui mais dormir e levantei. Vai ver isso é o tal efeito jet lagging.

Fui fotografar o despertar do dia, que eu tanto gosto. Fiz fotos lindas. Deitei novamente e peguei num sono bem pesado.

'Da janela lateral do quarto de dormir' vejo uma melancólica La Paz.


Acordamos às 8 e fomos tomar café. Achávamos que era junto ao restaurante no térreo mas era no terceiro andar. Sufoco pra subir devido à altitude, mas compensou. O Hotel tem uma espécie de solar. Muito interessante. Dá pra ter uma visão bacana de toda a cidade. É nesse andar também o bar. 

Centro da cidade. Caótico e lindo!

Fomos tomar café: um suco, chá de canela, pão, ovo cozido, geleia de morango, margarina e um cereal de arroz com iogurte.

Pausa para o cereal.

Cereal de arroz. Docinho docinho.

Esse cereal é uma delícia. Tinha comido ele há muito tempo no Brasil e nunca mais achei pra vender. Com o iogurte fica meio doce demais, mas mesmo assim eu faltei morrer de comer, rs.

Continuando, tomamos café, trocamos de roupa e fomos explorar a cidade.Pudemos ver o quanto é grande. Quanto mais se anda, mais tem pra andar, mais gente se vê, mais prédios, mais carros, mais tudo.

Tínhamos alguns objetivos: Comprar as tais Soroche Pills (que tanto me recomendaram), passagens para Copacabana, alguma roupa e passeio para Valle de la Luna. Desisti do Chalcataya com medo da altitude e o Vitor não se sentiu apto pra isso.

Tínhamos que ir até a rodoviária para comprar passagens para Copacabana, que visitaríamos em algumas semanas. Fomos até lá a pé. Aproveitamos pra treinar um pouco nosso senso de direção, entender como a cidade funciona, conhecer os costumes. Foi uma experiência exaustiva e culturalmente rica. Chegamos lá quase mortos.

Outra pausa para se falar do clima. Realmente é verdade tudo o que se diz a respeito de seu corpo na altitude: tudo é mais. Se cansa mais rápido, o coração bate mais, a sensação de fraqueza é mais intensa e o medo de morrer também! Mas também é verdade que uma pequena pausa é suficiente para recuperar tudinho, coisa de cinco minutos apenas.

A essas alturas já percebemos que o ar é bastante seco. E que de dia faz sol de rachar e calor, muito calor. Saí com blusa de fleece, e, por esperteza tinha colocado uma outra camiseta por baixo, para que pudesse tirar a de cima, se necessário. E foi. E foi minha salvação também. Aliás, é bem estranho o clima em La Paz. É uma versão piorada do clima de Brasília. Ar mais seco, sol mais quente, frio mais intenso e variações mais loucas e bruscas. Se você está dentro de casa: clima agradável. Sai de casa: frio. Sai de casa de manhã, no sol: calor. Sai de casa de manhã na sombra: frio. Sai de casa de noite: Racha de frio. Tinha que sair preparada pra tudo isso, que acontecia em variações de minutos.

No caminho compramos nas ruas um sabonete, água e as Soroche Pills. É engraçado, não há supermercados no centro, se vende tudo (TUDO) na rua, nas barracas das cholas.



Voltando... Chegamos na rodoviária - que se chama terminal de buses em espanhol - e tentei achar empresas que fizessem o trajeto La Paz/Copacabana. Só havia 3 delas que faziam o trajeto.

Tentei dar uma de esperta, entrei pela lateral (acesso restrito a funcionários), onde os ônibus ficam estacionados, pra ver o estado das frotas - como tinha ouvido muitas pessoas aconselharem. Não achei um ônibus sequer, de nenhuma das três empresas. Fui visitar as vendas de cada uma delas e vi que só tinham horários para 8 e 14h, com preços entre 35-40 bolivianos. Acabou que nenhuma delas nos serviu. Tínhamos passagens compradas de avião de Sucre para La Paz e chegaríamos 13:25. Seria muito arriscado comprar para as 14h.

Explicando: Depois de La Paz, iríamos para Uyuni, depois para Sucre e retornaríamos para La Paz, de passagem apenas, para então seguir para Copacabana.

Nesse meio tempoVitor (que não fala uma palavra sequer em espanhol e é muito tímido para arriscar um portunhol) teve seu primeiro contato com os nativos. Comprou biscoitos e refrigerante sozinho! Meu orgulho, rs.

A rodoviária

Pausa pra o refrigerante. Há alguns meses decidi deixar de tomar refrigerante de cola por sempre saber que é uma bebida não aconselhável para o bem da saúde. Mas tive que tomar. Percebemos que a água de La Paz não tem um gosto muito bom. E isso porque, previamente já informada, só compramos engarrafada. Esperava sentir gosto melhor. Aliás, sentir gosto nenhum. Mas não é bem assim. A partir de agora, evitamos água e tomamos só suco engarrafado e refrigerante.

Voltando ao caso 'Passagem para Copacabana',  agora eu tinha que achar uma alternativa para chegar até a cidade. Uma senhora de uma dessas empresas me falou que tinha uns transportes que saíam da Zona do Cemitério, durante todo o dia até 4 da tarde sem precisar reservar com antecedência. Eu também já tinha lido isso nas minhas pesquisas. Entretanto, resolvi ir lá conferir, só pra garantir.

Pegamos um táxi na frente da rodoviária e pedimos que nos levasse no tal cemitério. Ele nos confirmou que lá tem saídas para Copacabana. Chegando lá um homem logo se aproximou e nos ofereceu uma passagem. Tirei minhas dúvidas com ele sobre horário e preço da viagem, e também pedi pra ver o veículo para conferir o estado dele. Segundo ele teria um transporte saindo a cada meia hora até as 17h. Bom ouvir isso, foi um alívio.

De fato, o local é cheio de transportes. É muito parecido com os transportes que encontramos em cidades de interior no Brasil afora. Vans, mini-ônibus, de tudo um pouco.

No mesmo táxi voltamos para o Centro. Pedi que nos deixasse na Calle Jaén, que já seria um ponto que queria conhecer. Foi um trajeto super rápido. No meio do caminho o Vitor avistou um homem fazendo xixi no meio da rua... Coisas da Bolívia.

Chegando na linda, organizada, limpa e conservada Calle Jaén, nada mais quis fazer que fotografar. A rua é inspiradora por suas casas coloridas. E cheias de museus. Não quis entrar em nenhum, pois apesar de adorar museu, nessa viagem não estava com muita paciência para eles.

Pose.



De lá seguimos caminhando até a Plaza Murillo. No meio do caminho pedi informação a um senhor que me chamou atenção. Ele deu a informação que pedi e mais. Percebendo que era turista, me informou TODOS os pontos turísticos ali perto. Tinha muitos que eu nem sabia. E olha que eu pesquisei bem. Era comédia, eu saía, ele puxava pelo braço pra falar, eu tentava sair, ele puxava novamente. Tive trabalho pra me livrar do vovô. Logo mais na frente eu sentiria falta do espírito informativo dele, pois os bolivianos não sabem dar informação, e, aparentemente sentem vergonha em dizer que não sabem de alguma coisa - preferem passar informação errada que admitir.

Chegando na plaza murillo, várias fotos com os pombos. Me chama a atenção aqui na Bolívia que as pessoas gostam de ficar à toa na praça, conversando, como se não tivessem nada da vida pra fazer. São pessoas relax.

Pombos. Fazem cócegas.




Me chamou também atenção uma senhora , meio chola, fotógrafa, com sua câmera profissional, casaco típico de fotógrafo, mas chola.

La Chola Durán

Passamos algum tempo ali, fotografando, aproveitando o lugar e logo logo deu fome. Hora de procurar o que comer. Eu sabia que ali perto tinha um Burguer King e um shopping . Na verdade são vizinhos, mas só vimos de imediato o shopping. Adentramos e, a princípio, fomos tentar experimentar o saque utilizando nossos cartões. O meu só funcionou num caixa do BNB. O do Vitor era mais bem aceito.

Andamos no shopping, e vi uma loja de sapatos de couro legítimo e ao virar pra ver o preço no solado, a surpresa: couro brasileiro.

Não encontramos lugar pra comer, saímos do shopping e encontramos um fast food de frango. Decidimos comer lá. Uma delícia. Eu já estava com vontade de frango desde o Brasil. Faltei morrer de comer.


O mais delicioso frango frito que comi em toda minha vida. Pollos Copacabana. Recomendo!

Ao sair de lá, vimos o Burguer King. Do lado do shopping. Na verdade ficam juntos Burger King e Subway.

De lá seguimos para o hotel. Descansamos um pouco e de tarde fomos procurar a Calle Eloy Salmon, que, segundo pesquisas, era a rua dos eletrônicos. De repente o Vitor podia encontrar algo lá. Mas nada animador. Os preços seriam os mesmos de comprar eletrônicos no exterior aqui no Brasil.

Voltamos para próximo do hotel e exploramos um pouco o Mercado de las Brujas. Tem muita coisa lá. Comprei uma bolsa, luvas, cachecol. Dá vontade de levar tudo, tem que tomar cuidado, rs. Compramos algumas maçãs e uvas pra beliscar durante a viagem.




Também procuramos o passeio para o Vale da lua e foi difícil achar, pois normalmente eles fazem esse passeio conjugado com o Chalcataya, que decidimos não ir mais. Durante as compras, vimos uma empresa que nos ofereceu um carro privado pra fazer esse passeio. Pegamos o cartão dele e, depois de pesquisar muito, retornamos lá, pois tinha o melhor preço. Fora que o atendente foi muito atencioso conosco. Compramos o passeio por 120 BoBs e ele nos pegaria no dia seguinte no hotel, às 9 da manhã.

Paramos para tomar um café numa cafeteria de uma pousada. Como não gostei do café servido no avião (que era verde, inclusive), pedimos capuccino. Delícia.

Terminadas as compras, voltamos pro hotel. Tomar banho e descansar. Devido a altitude, se cansa muito rápido. E La Paz é cheia de altos. Nosso hotel ficava no topo de um.

Chegando no hotel senti uma dor de barriga leve, que foi aumentando, aumentando e se transformou numa diarreia generosa. Era o capuccino se apresentando pra sair antes da hora. Não posso dizer que era contaminação alimentar. Tenho intolerância a alguns alimentos, e acredito que leite é um deles. Nada de derivados de leite de agora por diante.

De noite fomos jantar. Dessa vez saímos do hotel. Encontramos uma casa especializada em carnes numa rua bem charmosa, com vários restaurantes. Vitor pediu um bife flambado e eu um filé de lhama. Tenho que dizer: se pudesse, trocaria a carne comum por esse filé pro resto da vida: delicioso e macio.

O flambado era um espetáculo à parte. Todos paravam de comer pra fotografar.
O suculento bife de lhama

O restaurante era muito bom, mas me incomodava muito a fumaça. Devido aos flambados, a fumaça ficava dentro do restaurante. Nossas roupas e cabelos ficaram impregnadas de fumaça.

Comemos e voltamos pro hotel. O Vitor com passo acelerado, com medo de assalto ou algo assim. Nada aconteceu. O clima é de segurança na Bolívia, senti isso vendo as mulheres e crianças transitando na noite sozinhas, mesmo nos locais mais escuros. Me deu inveja de morar num lugar desses.

Voltamos ao hotel e caímos na cama com muito sono.

E no dia seguinte...


Acordamos um pouco mais tarde que no dia anterior. Tomamos café e descemos para esperar o motorista. Ele chegou pontualmente às 9 e nos levou para o passeio.

Durante o trajeto pudemos mudar um pouco a imagem que tivemos até agora da Bolívia, pois passamos por bairros mais organizados - os bairros ricos de La Paz. Se não me engano se chama Miraflores. Lá também é onde moram os políticos da Bolívia, segundo nosso motorista/guia. Inclusive o Presidente.


Bairro chique de La Paz. Aqui próximo mora o Evo Morales.

Um dos parques verdes que encontramos durante o trajeto. Paisagens bem diferentes do que tínhamos visto até então.

Chegando no Valle, compramos ingresso e o motorista ficou nos esperando. O vale é bem grande. Para explorá-lo há duas opções: uma trilha de 15 e  e uma de 45 minutos. Fizemos a segunda. Andando e parando pra tirar fotos, durou uma hora e vinte, mais ou menos. O lugar é inspirador. Ele, por si só já pede uma sessão de fotos. Acho que se morasse por lá, já conheceria como a palma da mão, de tanto que iria pra fotografar. Além de ser lindo, também proporciona visões panorâmicas magníficas. Fiz muitas fotos de paisagens por lá. É cheio de altos e baixos e lugares perigosos. Tem uma pontes que atravessam as crateras que olhando pra baixo dão vertigem, ainda que tenham um diâmetro pequeno. Imagino a profundidade daquilo.Fiquei segurando meus pertences atentamente, com medo de cair num vão daqueles e nunca mais recuperá-los.

A seguir algumas fotos do local. Escolhi as que mais representam o local, dentre as centenas que tiramos por lá.




YAY!

Terminado o passeio, voltamos para a entrada e pedi ao nosso motorista pra nos deixar no Mirador Killi Killi. Aproveitar para não pagar táxi, rs. Chegando lá, o local estava deserto. Nem parecia ponto turístico. O que é ótimo. Dá pra aproveitar bem. Os únicos turistas que encontrei foram três francesas que estavam se virando nos trinta pra fotografar a si mesmas. Me ofereci pra fotografá-las. Aproveitei pra treinar meu francês um tiquinho, rs.

Depois de fotografá-las, fui tirar as minhas fotos. Poucas pois não há muito o que se explorar por lá. Elas também tiraram algumas minhas e de Vitor, o que é ótimo, pois temos pouquíssimas fotos juntos, e a grande maioria é auto-retrato.





Saímos e pegamos um táxi para o centro. 10 bolivianos. Fomos direto almoçar, dessa vez no Burguer King. Vitor pediu sanduba novamente e eu, advinha? Frango frito! Ai que saudades daquilo. Só de pensar dá água na boca!

Fomos caminhar de volta pro hotel. No caminho passamos por uma chola que vendia meias calças. Eu adorei a barraca dela, tinha meia de tudo quanto é cor, do jeito que eu gosto. Deu vontade de comprar tudo, mas escolhi só 3. Passamos na igreja São Francisco e de lá seguimos para o hotel.

De tarde preparei as malas. Tive um susto nessa tarde. Estava de blusa e roupa de baixo quando de repente escutamos alguém girando a chave na porta, abrindo. Comecei a gritar: "hay gente! hay gente!" Mas a criatura não ouviu. Rapidamente puxei a blusa pra cobrir a parte de baixo, exatamente no momento que ela abriu a porta. Por pouco não me pega só de calcinha e proporcionava uma bela visão pro gringo junto dela, rs. Quando a pessoa viu que tinha alguém no quarto, faltou infartar. "I'm sorry!I'm sorry!" tremendo, pediu. Eu me vesti e fui lá ver o que ela queria. Ela estava trêmula, pedindo desculpas e tentando encontrar palavras em inglês para explicar que pensava que o quarto estava vazio. Pedi que falasse em espanhol e falei que não tinha problema, mas se tivesse entrado 10 segundos antes, me pegaria pelada, aí sim, seria problema! Bônus pro gringo.

De noite fomos jantar num restaurante italiano chamado Little Italy. De entrada pedimos bruschetas que estavam de comer rezando. Vitor pediu um bife à milanesa com acompanhamento de massa com molho vermelho e eu frango à milanesa com acompanhamento de massa com molho branco. Tudo delicioso e bem servido! Comemos que deixamos no prato.




Infelizmente as fotos não são as melhores pois foram no celular. Mas já dá pra deixar uma água na boca, não dá não?




Terminando tudo, voltamos pro hotel e fomos direto dormir. Dia seguinte era dia de acordar supercedo e pegar avião. Estava apreensiva pois tinha visto em um blog um relato de uma viajante que não gostou muito da viagem com a Amaszonas, empresa que utilizaríamos para chegar a Uyuni. Mas também estava super excitada pra conhecer o Salar. Este era o ponto alto da Bolívia pra mim.

E para terminar, uma imagem da vista noturna da cidade de La Paz, que, se for preciso defini-la com uma palavra só seria: intrigante.
Belleza de ciudad

Veja também:

Hasta La Paz

sábado, 19 de julho de 2014

Fios de seda natural Casulo Feliz

Olá!

Neste post está  a avaliação sobre a amostra que comprei dos fios de seda natural da empresa Casulo Feliz.

Por questões de organização, ele foi transferido para o meu novo blog 'Flady Crochet', onde estará todos os posts relacionados à essa arte!

Para visualizar, por favor, clique no link abaixo e você será redirecionado para  a página que deseja ver:

Fios de seda natural Casulo Feliz - Amostragem


Obrigada pela visita!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Hasta La Paz

Vamos ao primeiro post de verdadinha?
Na série de postagens começando com este, estarei contando como foi nossa viagem para Bolívia e Peru, primeira para fora do país, realizada em março de 2014, relatando como foi desde o dia da saída do Brasil até o retorno. Elas foram retiradas de um diário que mantenho, portanto haverá riqueza de detalhes e narração em forma de história contada diariamente, com alguns ajustes, claro. 
Espero que possa ajudar alguém que está planejando sua viagem, pois durante meu planejamento (que durou uns 2 meses) foi bastante difícil encontrar ajuda detalhada, como gosto.
Tudo começou dia 05 de março, quinta feira após o carnaval. Estava bem animada! O Vitor acordou cedo e já começou a se preparar para despachar seus bens tão preciosos para a casa dos amigos: videogames e jogos. Ajudei ele em algumas coisas e passamos praticamente a manhã inteira nisso. Ao terminar fomos ao banco pois o Vitor precisava resolver qualquer coisa para remediar o acontecido com o cartão que quebrei (fiz essa arte de quebrar o cartão de débito dias antes da viagem :S). Almoçamos e voltamos para casa. Senti umas dores de cabeça chatas e que me preocuparam pois a viagem seria logo mais de noite. Talvez fosse psicológico, pois estava tão preocupada e cuidando tanto para não adoecer.
Chegando em casa cuidei de últimos preparativos da viagem: empacotar últimos produtos de higiente, fechar a mala e envolvê-la com filme... Tentei dormir pra ver se a dor de cabeça passava, o que não adiantou muito. Levantei e verificamos os últimos quesitos de segurança da casa: trancar portas, cadeados e cuidar da comida da gata que ficaria aos cuidados de minha sogra. Ao final disso tudo já era hora de se preparar pra viagem, pois nosso amigo que nos levaria ao aeroporto ficou de nos pegar às 18h.
Não tivemos problemas com o trânsito, apesar de ser pós feriado de carnaval e chegamos rapidamente no Aeroporto JK. Assim que chegamos despachamos as malas e fomos pro andar de cima, onde fica a praça de alimentação. Estava tudo um inferno por lá. Uma barulheira absurda por conta das reformas que estão sendo realizadas em função da Copa. Acabei ficando com mais dor de cabeça. Resolvemos descer para aguardar na sala de embarque, que estava mais silenciosa. O embarque aconteceu muito rápido, sem atrasos.
Nosso vôo seria da seguinte maneira: Brasília/Guarulhos/Lima/Santa Cruz de La Sierra/La Paz (ufa!). Em todas as conexões, com exceção de Santa Cruz haveria troca de aeronave. Extremamente cansativo. Aeronave da Tam no trecho Brasília/Guarulhos e o restante com aeronaves da Lan. Todas velhas e faziam barulho. Uma negação.
Intinerário até a Bolívia. Estressante.
Em pouco mais de 1h estávamos em Guarulhos. Era quase meia noite e me surpreendeu o fato de estar tudo tão calmo e lojas fechadas. Sei que já era tarde, mas esse aeroporto tem a fama de ser movimentado sempre por ser tão grande. Tivemos até dificuldade de encontrar comida descente. O checkin da Lan estava fechado e só abriria em 40 minutos. Fomos atrás do que comer nas poucas lojas abertas. Pagamos assustadores 30 reais por 2 empanadas e 2 sucos de latinha. Comemos e aí sim bateu o cansaço... Um sono absurdo e não tinha exatamente um lugar para descansar. 40 minutos de espera e o checkin da Lan abriu e uma fila até grandinha já tinha se formado. Uns 5 minutos esperando na fila e a moça do balcão tentou reorganizá-la causando um pequeno caos que durou seus 10 minutos. Tudo muito amador, pro meu gosto. Fizemos o checkin e seguimos para a sala de embarque. Na hora de passar no detector a funcionária implicou com minha bagagem pois viu um spray no meu raio x. Mostrei e ela viu que era um frasco de cataflan e constatou que sua pesagem estava dentro do permitido. Sem problemas maiores.
Daqui pra frente se seguiriam momentos bastante entediantes: sono sono e mais sono e nada da hora passar. Nosso vôo só sairia 4 da manhã e não tinha nada pra fazer nessas horas que seguiriam. Até tinha: internet grátis e dois livros, mas a verdade é que o sono já tinha se apoderado da gente. Consegui fazer Vitor dormir um pouco no meu colo, por pouco tempo. Nessa tentativa de passar o tempo, descobri um 'brinquedo' : um totem gigante para tirar foto e acessar redes sociais que instalaram no Aeroporto de Guarulhos. Divertido até.
Virando criança no Aeroporto de Guarulhos
Três intermináveis horas depois, finalmente chegou a hora do nosso embarque. Não entendo por que nossos assentos não eram na janela, como sempre reservo. Lembro de ter marcado os lugares no maluco site da LAN. Isso me incomodou um pouco nem tanto pela visão da janela, já que era noite, mas ter onde se apoiar com tanto sono seria bem bacana. Principalmente porque logo mais eu constataria que os assentos da Lan não eram tão confortáveis. A aeronave era mais nova que a da Tam, mas o espaço para o passageiro me pareceu mais apertado. Além do que tinha um trambolho como apoio de cabeça que funciona muito bem para quem é alto, mas não para quem é baixota como eu. Esse acessório ficou empurrando minha cabeça para frente e forçando toda minha coluna. Tentei apoiar uma almofadinha que eles dão num kit na coluna mas não adiantou muito... 
'Kit conforto' da Lan. Espaço minúsculo até para baixinhos. Foto de celular. Sem disposição para empunhar uma câmera.
Quando a aeronave decolou foi que percebi que ela era muito  melhor que a da Tam, onde tinha sentido a pressurização e despressurização durante todo o vôo, que me causou grande mal estar acirrado por um barulho que não parava nunca. Nesta não tive nada disso. O vôo foi de uma maneira geral tranquilo. Apenas o desconforto do assento que não ajudava. Não sei como consegui dormir. Acho que não tinha energia mais pra lutar contra o mal estar. Apaguei geral perto do amanhecer do dia. Antes disso serviram um lanche maravilhoso. O melhor que comi até hoje em vôos: sanduíche, bolachas, margarina, goiabada, salada de frutas e sucos. Fiquei empanturrada e surpresa!

Lanche bem dotado da Lan. 
Pouco depois de eu acordar, chegamos em Lima. 06 de Março. Como já tinha ouvido falar, paisagem cinzenta e nublada. O aeroporto é maior que eu imaginava. Tivemos que esperar mais um pouco pra tomar nosso vôo. Enquanto isso, Vitor quis experimentar se o cartão de crédito estava realmente funcionando no exterior. Compramos um suco com um muffin numa cafeteria aos olhos da cara. 
Havia uma área na sala de embarque mais isolada. Seguimos para lá para descansar um pouco. O Vitor estava precisando mais que eu. Ele não conseguiu dormir durante o vôo com o aperto dos assentos. Só que agora acho que apagou de vez. Se esparramou nas cadeiras da sala (que por sinal são ótimas para isso, pois não têm apoio para braço) e dormiu bastante e bem. Eu dormi leve, acordava com qualquer anúncio de vôo.
Zzzzzz
Chegou nossa hora de embarcar. Como em alguns vôos do Brasil, um ônibus veio nos pegar na porta da sala de embarque e nos levou até o avião. A aeronave era igual à anterior. Durante o vôo nos deram um jornal local, que me chamou atenção uma matéria do Ricky Martin. Lembrei da Fládia, minha irmã (fã de carteirinha, rs). 
Aê mana... Essa foi pra você.
Junto com o jornal nos deram os formulários para os trâmites de imigração. Uns trecos bem confusos de se preencher e que, com certeza fizemos errado. Serviram também bebidas e muffin, que estava infinitamente mais gostoso que o que compramos na sala de embarque... Fail. 
O delicioso e saudoso muffin da Lan.
O tempo de vôo até Santa Cruz seria 1h e nem percebi passar, de tantas paisagens lindas que pude apreciar: montanhas cobertas de neve, riachos cor de caramelo, e o lago Titicaca. Já deu pra ver que ele é realmente imenso. Deu até pra ver a ilha do sol, que visitaríamos dentro de alguns dias. Inesquecível.
Linda paisagem do Lago Titicaca. Aqui se vê a Isla del Sol e a cidade de Copacabana bem ao fundo.
Chegando em Santa Cruz de la Sierra, apenas vi o tão famoso aeroporto Viru Viru da aeronave, já que não precisamos desembarcar. Feio pra caramba e pequeno. Essa parada foi tranquilizadora, pois observei as aeronaves que em breve teria que utilizar: as da Amaszonas e BoA (Boliviana de Aviación). Me tirou um pouco a preocupação, pois me pareceram bem conservadas. Essa conexão foi um saco. Demorou pra burro. Achei que ia subir mais gente, mas nada. Só demorou muito e sabe Deus porque. Mais ou menos 40 minutos depois levantamos vôo novamente - o quarto e último - dessa vez rumo a La Paz. Achei que nunca ia chegar. Foi mais ou menos 1h de vôo e foi tudo bastante tranquilo. Engraçado que os vôos foram muito bons. Nada de trepidação, zona de turbulência, nada. Me senti super segura.
Já era 16h quando chegamos em La Paz. Estava apreensiva em relação a altitude. Na verdade chegamos em El Alto, cidade vizinha a La Paz, que, como o próprio nome sugere, é alto. É lá que fica o aeroporto. Vitor estava com um humor péssimo. Nervoso, só queria saber se ia respirar normalmente. Acho que na cabeça dele, na hora em que abrisse a porta do avião, ele morreria sufocado, tadinho. Acho que fiquei apreensiva pelo nervoso que ele me passou. Nada de mais aconteceu quando a porta do avião abriu.
Ao sair fomos encaminhados para o setor de imigração, com maior frio na barriga. Coisa de marinheiro de primeira viagem. Mas foi tudo muito tranquilo. Nada com que se preocupar. Só nos fizeram perguntas sobre quantos dias ficaríamos no país. 
Após pegar nossas malas, fomos tentar sacar algum dinheiro para as despesas mais urgentes. Localizamos os terminais eletrônicos. Pense num espetáculo. Tinha uma salinha com todos os caixas eletrônicos dentro, e um deles estava em manutenção. Por conta disso estava tudo meio interditado e várias notas de dinheiro inutilizadas (tingidas) no chão, de modo que tinha um policial sinistro (cujos dentes da frente eram de ouro) na porta, que moderava a entrada. Tentei sacar dinheiro com meu cartão de débito em algumas máquinas com a bandeira Cirrus e nada de conseguir. A interface dos caixas não ajudava, parecia jogos de videogame dos anos 80. Até que o 'puliça' percebeu minhas inúmeras tentativas e permitiu que o Vitor viesse me ajudar. Ele e conseguiu sacar com o seu cartão de crédito, graças a Deus.
A interface super moderna e altamente intuitiva do terminal eletrônico no Aeroporto de El Alto. Show de bola.
Saindo do aeroporto fomos pegar táxi. Aliás, o táxi foi nos pegar. Choveu taxista oferecendo seus serviços. Escolhemos um com a cara mais confiante. Já haviam me informado pra negociar, perguntar preço antes.. dito e feito: me pediram 60, chorei pra 40 e fechamos em 50, que, segundo eles, era o preço tabelado - consegui confirmar isso num letreiro ali por perto.
Eu estava grilada. Não queria largar as malas por nada. Elas estavam no carrinho e estávamos tendo dificuldade de empurrar, porque o aeroporto está em reformas e o piso está horrível. O taxista se ofereceu pra levar, puxou o carro da nossa mão e como um touro o empinou e empurrou até o carro. Pense num susto, achando que tava sendo roubada! Saí correndo atrás, mas ele apenas as colocou no porta malas. Como veríamos muito dali em diante o povo boliviano é bem tranquilo e prestativo. Ainda assim peguei a necessaire que tinha coisas mais valiosas, além da bolsa e mochila do marido pra levar no colo. Nunca se sabe...
Seguimos para La Paz numa ladeira sem fim. A sensação era de descer em um funil. Vi paisagens estranhas durante o caminho. As casas amontoadas, sem reboco, com tijolo à mostra. Uma favela gigante. A primeira impressão de quem chega a La Paz não é das melhores. Vi também algumas paisagens bonitas como as formações rochosas se misturando às locações urbanas. Sem falar montanhas nevadas que lembram paisagens europeias. O clima estava ótimo. Achei que estaria mais frio, mas estava apenas agradável... Chegando ao centro um susto antropológico: a maneira de viver dos bolivianos que habitam no centro é chocante. Tudo na rua, tudo solto, tudo do jeito que dá. Cada um por si do jeito que Deus permitir. Muito estranho. Lembro de ter ficado chocada logo de cara.
Descendo para La Paz. A cidade é numa espécie de Funil.
Achamos rapidamente com a ajuda do taxista o hotel que já havíamos reservado pelo Decolar.com, que se chamava Muzungu B&B e dentro de alguns minutos pude perceber que foi a melhor coisa que fizemos: Andar com malas até chegar ao hotel, desde onde o táxi nos deixou (pouco menos de 100 m) foi torturante. Cansaço acumulado de 19 h de viagem, tensão nervosa e choque cultural. Fora que é muito estranho o efeito da altitude. Cansamos super rápido, como se tivesse feito uma corrida de pelo menos 10 minutos. 
O hotel ficava no primeiro piso, acima de uma loja. Subimos com muito esforço e chegamos esgotados lá em cima. Fizemos checkin e fomos ver os quartos. Havia reservado banheiro compartilhado mas mudei de ideia e quis ver os com banheiro privado, mas ao vê-los, preferi ficar com o que já tinha reservado. Além de serem bem feinhos, mal preservados, eram no terceiro andar. Uma canseira. Se nosso quarto era no primeiro já dava um bom caldo, imagina no terceiro.
Tudo acertado, seguimos para o quarto. Fizemos todo o 'ritual' de chegada de sempre. Daí saímos para cambiar dinheiro, comprar água e remédios. Me falaram que comprasse de cara as tais Soroche Pills, para não esperar os efeitos da altitude se manifestarem. Tentei encontrar nas redondezas mas achei meio caro e deixei pro dia seguinte. Estava com uma pequena dor de cabeça, mas mais de cansaço que de altitude.
Chegando no hotel, vimos que não tinha toalha. Marinheira de primeira viagem que somos, não sabíamos que tinha que levar nossas próprias coisas. Voltamos pra rua e compramos as famosas toalhas de microfibras (bem quebra galho) que são simplesmente horríveis. Compramos e voltamos ao hotel.
Tudo arrumado, hora do banho. Experiência ruim. O banheiro era grande, a água quente. Até aí tudo bem, mas não tinha onde colocar os produtos de limpeza. Tinha apenas alguns ganchinhos na porta pra pendurar roupas e coisas penduráveis. Tinha que se virar com o sabonete. No meio do banho ainda mexi no chuveiro e saiu muita água fria. Fria não, gelada, cristalizante. Descobri nos dias seguintes que na Bolívia tudo que sai da torneira tem o poder de congelar sua mão em segundos, rs.  Em suma, fiz muita lambança. Na hora de me vestir ensopei toda a roupa. Coisa de criança, quase.
Sobrevivemos ao banho, hora de jantar. Ficamos pelo hotel mesmo, que tem um restaurante. Nada de andar muito e se esforçar no primeiro dia, isso é crucial. Pedimos um bife pra dois que vinha com arroz integral. Estava bom. Chato que no hotel não tem cartão de crédito, só na bufunfa mesmo. Comemos pouco pra não forçar o coitado do estômago a uma altitude dessas.
Depois disso, cama. Nada melhor que isso. Dor de cabeça fraca e muito, muito cansaço.

Noite movimentada. Nosso quarto tinha janela pra rua principal e se houvia todo o barulho. Outro choque cultural: os bolivianos tem um horário de trabalho prolongado. 9, 10 horas da noite ainda tem gente trabalhando. Em compensação, abrem o comércio bem tarde também, por volta de 9 da manhã, como veria no dia seguinte. Apesar do barulho e de o quarto penetrar luz mesmo com tudo fechado, conseguimos dormir rápido.
E assim foi nossa cansativa jornada até chegar na Bolívia. No próximo post mais algumas aventuras nessa capital chocante.