A falta de tempo me impede de atualizar esse blog com a frequência que eu gostaria, mas sempre que possível (nem que seja uma vez ao ano), o farei.
Acontece que eu gosto de escrever muito e só esparramar frases soltas não faz muito meu estilo. Daí prefiro atualizar pouco a não atualizar.
Então vamos ao que interessa: Há alguns dias (meses) publiquei sobre a viagem de ida à Bolívia. Agora eu conto como foi a experiência na cidade de La Paz.
La Paz é uma cidade caótica. Tudo é uma loucura, tudo é amontoado, mas incrivelmente tudo funciona. Depois do choque dos contrastes das primeiras impressões, é possível apreciar o que a cidade tem a oferecer.
Primeira noite, primeiro dia
A noite é longa em La Paz. Não sei porque, mas a impressão é que se demora muito a amanhecer. Na noite após a chegada, quando dormi, acordei umas 2 vezes e antes de abrir os olhos, imaginava que já era dia, mas não. Tudo escuro lá fora. Até que 6 da manhã não consegui mais dormir e levantei. Vai ver isso é o tal efeito jet lagging.
Fui fotografar o despertar do dia, que eu tanto gosto. Fiz fotos lindas. Deitei novamente e peguei num sono bem pesado.
Acordamos às 8 e fomos tomar café. Achávamos que era junto ao restaurante no térreo mas era no terceiro andar. Sufoco pra subir devido à altitude, mas compensou. O Hotel tem uma espécie de solar. Muito interessante. Dá pra ter uma visão bacana de toda a cidade. É nesse andar também o bar.
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| 'Da janela lateral do quarto de dormir' vejo uma melancólica La Paz. |
Acordamos às 8 e fomos tomar café. Achávamos que era junto ao restaurante no térreo mas era no terceiro andar. Sufoco pra subir devido à altitude, mas compensou. O Hotel tem uma espécie de solar. Muito interessante. Dá pra ter uma visão bacana de toda a cidade. É nesse andar também o bar.
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| Centro da cidade. Caótico e lindo! |
Fomos tomar café: um suco, chá de canela, pão, ovo cozido, geleia de morango, margarina e um cereal de arroz com iogurte.
Pausa para o cereal.
Esse cereal é uma delícia. Tinha comido ele há muito tempo no Brasil e nunca mais achei pra vender. Com o iogurte fica meio doce demais, mas mesmo assim eu faltei morrer de comer, rs.
Continuando, tomamos café, trocamos de roupa e fomos explorar a cidade.Pudemos ver o quanto é grande. Quanto mais se anda, mais tem pra andar, mais gente se vê, mais prédios, mais carros, mais tudo.
Tínhamos alguns objetivos: Comprar as tais Soroche Pills (que tanto me recomendaram), passagens para Copacabana, alguma roupa e passeio para Valle de la Luna. Desisti do Chalcataya com medo da altitude e o Vitor não se sentiu apto pra isso.
Tínhamos que ir até a rodoviária para comprar passagens para Copacabana, que visitaríamos em algumas semanas. Fomos até lá a pé. Aproveitamos pra treinar um pouco nosso senso de direção, entender como a cidade funciona, conhecer os costumes. Foi uma experiência exaustiva e culturalmente rica. Chegamos lá quase mortos.
Outra pausa para se falar do clima. Realmente é verdade tudo o que se diz a respeito de seu corpo na altitude: tudo é mais. Se cansa mais rápido, o coração bate mais, a sensação de fraqueza é mais intensa e o medo de morrer também! Mas também é verdade que uma pequena pausa é suficiente para recuperar tudinho, coisa de cinco minutos apenas.
A essas alturas já percebemos que o ar é bastante seco. E que de dia faz sol de rachar e calor, muito calor. Saí com blusa de fleece, e, por esperteza tinha colocado uma outra camiseta por baixo, para que pudesse tirar a de cima, se necessário. E foi. E foi minha salvação também. Aliás, é bem estranho o clima em La Paz. É uma versão piorada do clima de Brasília. Ar mais seco, sol mais quente, frio mais intenso e variações mais loucas e bruscas. Se você está dentro de casa: clima agradável. Sai de casa: frio. Sai de casa de manhã, no sol: calor. Sai de casa de manhã na sombra: frio. Sai de casa de noite: Racha de frio. Tinha que sair preparada pra tudo isso, que acontecia em variações de minutos.
No caminho compramos nas ruas um sabonete, água e as Soroche Pills. É engraçado, não há supermercados no centro, se vende tudo (TUDO) na rua, nas barracas das cholas.
Voltando... Chegamos na rodoviária - que se chama terminal de buses em espanhol - e tentei achar empresas que fizessem o trajeto La Paz/Copacabana. Só havia 3 delas que faziam o trajeto.
Tentei dar uma de esperta, entrei pela lateral (acesso restrito a funcionários), onde os ônibus ficam estacionados, pra ver o estado das frotas - como tinha ouvido muitas pessoas aconselharem. Não achei um ônibus sequer, de nenhuma das três empresas. Fui visitar as vendas de cada uma delas e vi que só tinham horários para 8 e 14h, com preços entre 35-40 bolivianos. Acabou que nenhuma delas nos serviu. Tínhamos passagens compradas de avião de Sucre para La Paz e chegaríamos 13:25. Seria muito arriscado comprar para as 14h.
Explicando: Depois de La Paz, iríamos para Uyuni, depois para Sucre e retornaríamos para La Paz, de passagem apenas, para então seguir para Copacabana.
Nesse meio tempoVitor (que não fala uma palavra sequer em espanhol e é muito tímido para arriscar um portunhol) teve seu primeiro contato com os nativos. Comprou biscoitos e refrigerante sozinho! Meu orgulho, rs.
Voltando ao caso 'Passagem para Copacabana', agora eu tinha que achar uma alternativa para chegar até a cidade. Uma senhora de uma dessas empresas me falou que tinha uns transportes que saíam da Zona do Cemitério, durante todo o dia até 4 da tarde sem precisar reservar com antecedência. Eu também já tinha lido isso nas minhas pesquisas. Entretanto, resolvi ir lá conferir, só pra garantir.
Pegamos um táxi na frente da rodoviária e pedimos que nos levasse no tal cemitério. Ele nos confirmou que lá tem saídas para Copacabana. Chegando lá um homem logo se aproximou e nos ofereceu uma passagem. Tirei minhas dúvidas com ele sobre horário e preço da viagem, e também pedi pra ver o veículo para conferir o estado dele. Segundo ele teria um transporte saindo a cada meia hora até as 17h. Bom ouvir isso, foi um alívio.
De fato, o local é cheio de transportes. É muito parecido com os transportes que encontramos em cidades de interior no Brasil afora. Vans, mini-ônibus, de tudo um pouco.
No mesmo táxi voltamos para o Centro. Pedi que nos deixasse na Calle Jaén, que já seria um ponto que queria conhecer. Foi um trajeto super rápido. No meio do caminho o Vitor avistou um homem fazendo xixi no meio da rua... Coisas da Bolívia.
Chegando na linda, organizada, limpa e conservada Calle Jaén, nada mais quis fazer que fotografar. A rua é inspiradora por suas casas coloridas. E cheias de museus. Não quis entrar em nenhum, pois apesar de adorar museu, nessa viagem não estava com muita paciência para eles.
De lá seguimos caminhando até a Plaza Murillo. No meio do caminho pedi informação a um senhor que me chamou atenção. Ele deu a informação que pedi e mais. Percebendo que era turista, me informou TODOS os pontos turísticos ali perto. Tinha muitos que eu nem sabia. E olha que eu pesquisei bem. Era comédia, eu saía, ele puxava pelo braço pra falar, eu tentava sair, ele puxava novamente. Tive trabalho pra me livrar do vovô. Logo mais na frente eu sentiria falta do espírito informativo dele, pois os bolivianos não sabem dar informação, e, aparentemente sentem vergonha em dizer que não sabem de alguma coisa - preferem passar informação errada que admitir.
Chegando na plaza murillo, várias fotos com os pombos. Me chama a atenção aqui na Bolívia que as pessoas gostam de ficar à toa na praça, conversando, como se não tivessem nada da vida pra fazer. São pessoas relax.
Me chamou também atenção uma senhora , meio chola, fotógrafa, com sua câmera profissional, casaco típico de fotógrafo, mas chola.
Passamos algum tempo ali, fotografando, aproveitando o lugar e logo logo deu fome. Hora de procurar o que comer. Eu sabia que ali perto tinha um Burguer King e um shopping . Na verdade são vizinhos, mas só vimos de imediato o shopping. Adentramos e, a princípio, fomos tentar experimentar o saque utilizando nossos cartões. O meu só funcionou num caixa do BNB. O do Vitor era mais bem aceito.
Andamos no shopping, e vi uma loja de sapatos de couro legítimo e ao virar pra ver o preço no solado, a surpresa: couro brasileiro.
Não encontramos lugar pra comer, saímos do shopping e encontramos um fast food de frango. Decidimos comer lá. Uma delícia. Eu já estava com vontade de frango desde o Brasil. Faltei morrer de comer.
Ao sair de lá, vimos o Burguer King. Do lado do shopping. Na verdade ficam juntos Burger King e Subway.
De lá seguimos para o hotel. Descansamos um pouco e de tarde fomos procurar a Calle Eloy Salmon, que, segundo pesquisas, era a rua dos eletrônicos. De repente o Vitor podia encontrar algo lá. Mas nada animador. Os preços seriam os mesmos de comprar eletrônicos no exterior aqui no Brasil.
Voltamos para próximo do hotel e exploramos um pouco o Mercado de las Brujas. Tem muita coisa lá. Comprei uma bolsa, luvas, cachecol. Dá vontade de levar tudo, tem que tomar cuidado, rs. Compramos algumas maçãs e uvas pra beliscar durante a viagem.
Também procuramos o passeio para o Vale da lua e foi difícil achar, pois normalmente eles fazem esse passeio conjugado com o Chalcataya, que decidimos não ir mais. Durante as compras, vimos uma empresa que nos ofereceu um carro privado pra fazer esse passeio. Pegamos o cartão dele e, depois de pesquisar muito, retornamos lá, pois tinha o melhor preço. Fora que o atendente foi muito atencioso conosco. Compramos o passeio por 120 BoBs e ele nos pegaria no dia seguinte no hotel, às 9 da manhã.
Paramos para tomar um café numa cafeteria de uma pousada. Como não gostei do café servido no avião (que era verde, inclusive), pedimos capuccino. Delícia.
Terminadas as compras, voltamos pro hotel. Tomar banho e descansar. Devido a altitude, se cansa muito rápido. E La Paz é cheia de altos. Nosso hotel ficava no topo de um.
Chegando no hotel senti uma dor de barriga leve, que foi aumentando, aumentando e se transformou numa diarreia generosa. Era o capuccino se apresentando pra sair antes da hora. Não posso dizer que era contaminação alimentar. Tenho intolerância a alguns alimentos, e acredito que leite é um deles. Nada de derivados de leite de agora por diante.
De noite fomos jantar. Dessa vez saímos do hotel. Encontramos uma casa especializada em carnes numa rua bem charmosa, com vários restaurantes. Vitor pediu um bife flambado e eu um filé de lhama. Tenho que dizer: se pudesse, trocaria a carne comum por esse filé pro resto da vida: delicioso e macio.
O restaurante era muito bom, mas me incomodava muito a fumaça. Devido aos flambados, a fumaça ficava dentro do restaurante. Nossas roupas e cabelos ficaram impregnadas de fumaça.
Comemos e voltamos pro hotel. O Vitor com passo acelerado, com medo de assalto ou algo assim. Nada aconteceu. O clima é de segurança na Bolívia, senti isso vendo as mulheres e crianças transitando na noite sozinhas, mesmo nos locais mais escuros. Me deu inveja de morar num lugar desses.
Voltamos ao hotel e caímos na cama com muito sono.
Acordamos um pouco mais tarde que no dia anterior. Tomamos café e descemos para esperar o motorista. Ele chegou pontualmente às 9 e nos levou para o passeio.
Durante o trajeto pudemos mudar um pouco a imagem que tivemos até agora da Bolívia, pois passamos por bairros mais organizados - os bairros ricos de La Paz. Se não me engano se chama Miraflores. Lá também é onde moram os políticos da Bolívia, segundo nosso motorista/guia. Inclusive o Presidente.
Chegando no Valle, compramos ingresso e o motorista ficou nos esperando. O vale é bem grande. Para explorá-lo há duas opções: uma trilha de 15 e e uma de 45 minutos. Fizemos a segunda. Andando e parando pra tirar fotos, durou uma hora e vinte, mais ou menos. O lugar é inspirador. Ele, por si só já pede uma sessão de fotos. Acho que se morasse por lá, já conheceria como a palma da mão, de tanto que iria pra fotografar. Além de ser lindo, também proporciona visões panorâmicas magníficas. Fiz muitas fotos de paisagens por lá. É cheio de altos e baixos e lugares perigosos. Tem uma pontes que atravessam as crateras que olhando pra baixo dão vertigem, ainda que tenham um diâmetro pequeno. Imagino a profundidade daquilo.Fiquei segurando meus pertences atentamente, com medo de cair num vão daqueles e nunca mais recuperá-los.
A seguir algumas fotos do local. Escolhi as que mais representam o local, dentre as centenas que tiramos por lá.
Terminado o passeio, voltamos para a entrada e pedi ao nosso motorista pra nos deixar no Mirador Killi Killi. Aproveitar para não pagar táxi, rs. Chegando lá, o local estava deserto. Nem parecia ponto turístico. O que é ótimo. Dá pra aproveitar bem. Os únicos turistas que encontrei foram três francesas que estavam se virando nos trinta pra fotografar a si mesmas. Me ofereci pra fotografá-las. Aproveitei pra treinar meu francês um tiquinho, rs.
Depois de fotografá-las, fui tirar as minhas fotos. Poucas pois não há muito o que se explorar por lá. Elas também tiraram algumas minhas e de Vitor, o que é ótimo, pois temos pouquíssimas fotos juntos, e a grande maioria é auto-retrato.
Saímos e pegamos um táxi para o centro. 10 bolivianos. Fomos direto almoçar, dessa vez no Burguer King. Vitor pediu sanduba novamente e eu, advinha? Frango frito! Ai que saudades daquilo. Só de pensar dá água na boca!
Fomos caminhar de volta pro hotel. No caminho passamos por uma chola que vendia meias calças. Eu adorei a barraca dela, tinha meia de tudo quanto é cor, do jeito que eu gosto. Deu vontade de comprar tudo, mas escolhi só 3. Passamos na igreja São Francisco e de lá seguimos para o hotel.
De tarde preparei as malas. Tive um susto nessa tarde. Estava de blusa e roupa de baixo quando de repente escutamos alguém girando a chave na porta, abrindo. Comecei a gritar: "hay gente! hay gente!" Mas a criatura não ouviu. Rapidamente puxei a blusa pra cobrir a parte de baixo, exatamente no momento que ela abriu a porta. Por pouco não me pega só de calcinha e proporcionava uma bela visão pro gringo junto dela, rs. Quando a pessoa viu que tinha alguém no quarto, faltou infartar. "I'm sorry!I'm sorry!" tremendo, pediu. Eu me vesti e fui lá ver o que ela queria. Ela estava trêmula, pedindo desculpas e tentando encontrar palavras em inglês para explicar que pensava que o quarto estava vazio. Pedi que falasse em espanhol e falei que não tinha problema, mas se tivesse entrado 10 segundos antes, me pegaria pelada, aí sim, seria problema! Bônus pro gringo.
De noite fomos jantar num restaurante italiano chamado Little Italy. De entrada pedimos bruschetas que estavam de comer rezando. Vitor pediu um bife à milanesa com acompanhamento de massa com molho vermelho e eu frango à milanesa com acompanhamento de massa com molho branco. Tudo delicioso e bem servido! Comemos que deixamos no prato.
Infelizmente as fotos não são as melhores pois foram no celular. Mas já dá pra deixar uma água na boca, não dá não?
Terminando tudo, voltamos pro hotel e fomos direto dormir. Dia seguinte era dia de acordar supercedo e pegar avião. Estava apreensiva pois tinha visto em um blog um relato de uma viajante que não gostou muito da viagem com a Amaszonas, empresa que utilizaríamos para chegar a Uyuni. Mas também estava super excitada pra conhecer o Salar. Este era o ponto alto da Bolívia pra mim.
E para terminar, uma imagem da vista noturna da cidade de La Paz, que, se for preciso defini-la com uma palavra só seria: intrigante.
Veja também:
Hasta La Paz
Pausa para o cereal.
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| Cereal de arroz. Docinho docinho. |
Continuando, tomamos café, trocamos de roupa e fomos explorar a cidade.Pudemos ver o quanto é grande. Quanto mais se anda, mais tem pra andar, mais gente se vê, mais prédios, mais carros, mais tudo.
Tínhamos alguns objetivos: Comprar as tais Soroche Pills (que tanto me recomendaram), passagens para Copacabana, alguma roupa e passeio para Valle de la Luna. Desisti do Chalcataya com medo da altitude e o Vitor não se sentiu apto pra isso.
Tínhamos que ir até a rodoviária para comprar passagens para Copacabana, que visitaríamos em algumas semanas. Fomos até lá a pé. Aproveitamos pra treinar um pouco nosso senso de direção, entender como a cidade funciona, conhecer os costumes. Foi uma experiência exaustiva e culturalmente rica. Chegamos lá quase mortos.
Outra pausa para se falar do clima. Realmente é verdade tudo o que se diz a respeito de seu corpo na altitude: tudo é mais. Se cansa mais rápido, o coração bate mais, a sensação de fraqueza é mais intensa e o medo de morrer também! Mas também é verdade que uma pequena pausa é suficiente para recuperar tudinho, coisa de cinco minutos apenas.
A essas alturas já percebemos que o ar é bastante seco. E que de dia faz sol de rachar e calor, muito calor. Saí com blusa de fleece, e, por esperteza tinha colocado uma outra camiseta por baixo, para que pudesse tirar a de cima, se necessário. E foi. E foi minha salvação também. Aliás, é bem estranho o clima em La Paz. É uma versão piorada do clima de Brasília. Ar mais seco, sol mais quente, frio mais intenso e variações mais loucas e bruscas. Se você está dentro de casa: clima agradável. Sai de casa: frio. Sai de casa de manhã, no sol: calor. Sai de casa de manhã na sombra: frio. Sai de casa de noite: Racha de frio. Tinha que sair preparada pra tudo isso, que acontecia em variações de minutos.
No caminho compramos nas ruas um sabonete, água e as Soroche Pills. É engraçado, não há supermercados no centro, se vende tudo (TUDO) na rua, nas barracas das cholas.
Tentei dar uma de esperta, entrei pela lateral (acesso restrito a funcionários), onde os ônibus ficam estacionados, pra ver o estado das frotas - como tinha ouvido muitas pessoas aconselharem. Não achei um ônibus sequer, de nenhuma das três empresas. Fui visitar as vendas de cada uma delas e vi que só tinham horários para 8 e 14h, com preços entre 35-40 bolivianos. Acabou que nenhuma delas nos serviu. Tínhamos passagens compradas de avião de Sucre para La Paz e chegaríamos 13:25. Seria muito arriscado comprar para as 14h.
Explicando: Depois de La Paz, iríamos para Uyuni, depois para Sucre e retornaríamos para La Paz, de passagem apenas, para então seguir para Copacabana.
Nesse meio tempoVitor (que não fala uma palavra sequer em espanhol e é muito tímido para arriscar um portunhol) teve seu primeiro contato com os nativos. Comprou biscoitos e refrigerante sozinho! Meu orgulho, rs.
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| A rodoviária |
Pausa pra o refrigerante. Há alguns meses decidi deixar de tomar refrigerante de cola por sempre saber que é uma bebida não aconselhável para o bem da saúde. Mas tive que tomar. Percebemos que a água de La Paz não tem um gosto muito bom. E isso porque, previamente já informada, só compramos engarrafada. Esperava sentir gosto melhor. Aliás, sentir gosto nenhum. Mas não é bem assim. A partir de agora, evitamos água e tomamos só suco engarrafado e refrigerante.
Voltando ao caso 'Passagem para Copacabana', agora eu tinha que achar uma alternativa para chegar até a cidade. Uma senhora de uma dessas empresas me falou que tinha uns transportes que saíam da Zona do Cemitério, durante todo o dia até 4 da tarde sem precisar reservar com antecedência. Eu também já tinha lido isso nas minhas pesquisas. Entretanto, resolvi ir lá conferir, só pra garantir.
Pegamos um táxi na frente da rodoviária e pedimos que nos levasse no tal cemitério. Ele nos confirmou que lá tem saídas para Copacabana. Chegando lá um homem logo se aproximou e nos ofereceu uma passagem. Tirei minhas dúvidas com ele sobre horário e preço da viagem, e também pedi pra ver o veículo para conferir o estado dele. Segundo ele teria um transporte saindo a cada meia hora até as 17h. Bom ouvir isso, foi um alívio.
De fato, o local é cheio de transportes. É muito parecido com os transportes que encontramos em cidades de interior no Brasil afora. Vans, mini-ônibus, de tudo um pouco.
No mesmo táxi voltamos para o Centro. Pedi que nos deixasse na Calle Jaén, que já seria um ponto que queria conhecer. Foi um trajeto super rápido. No meio do caminho o Vitor avistou um homem fazendo xixi no meio da rua... Coisas da Bolívia.
Chegando na linda, organizada, limpa e conservada Calle Jaén, nada mais quis fazer que fotografar. A rua é inspiradora por suas casas coloridas. E cheias de museus. Não quis entrar em nenhum, pois apesar de adorar museu, nessa viagem não estava com muita paciência para eles.
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| Pose. |
Chegando na plaza murillo, várias fotos com os pombos. Me chama a atenção aqui na Bolívia que as pessoas gostam de ficar à toa na praça, conversando, como se não tivessem nada da vida pra fazer. São pessoas relax.
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| Pombos. Fazem cócegas. |
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| La Chola Durán |
Passamos algum tempo ali, fotografando, aproveitando o lugar e logo logo deu fome. Hora de procurar o que comer. Eu sabia que ali perto tinha um Burguer King e um shopping . Na verdade são vizinhos, mas só vimos de imediato o shopping. Adentramos e, a princípio, fomos tentar experimentar o saque utilizando nossos cartões. O meu só funcionou num caixa do BNB. O do Vitor era mais bem aceito.
Andamos no shopping, e vi uma loja de sapatos de couro legítimo e ao virar pra ver o preço no solado, a surpresa: couro brasileiro.
Não encontramos lugar pra comer, saímos do shopping e encontramos um fast food de frango. Decidimos comer lá. Uma delícia. Eu já estava com vontade de frango desde o Brasil. Faltei morrer de comer.
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| O mais delicioso frango frito que comi em toda minha vida. Pollos Copacabana. Recomendo! |
Ao sair de lá, vimos o Burguer King. Do lado do shopping. Na verdade ficam juntos Burger King e Subway.
De lá seguimos para o hotel. Descansamos um pouco e de tarde fomos procurar a Calle Eloy Salmon, que, segundo pesquisas, era a rua dos eletrônicos. De repente o Vitor podia encontrar algo lá. Mas nada animador. Os preços seriam os mesmos de comprar eletrônicos no exterior aqui no Brasil.
Voltamos para próximo do hotel e exploramos um pouco o Mercado de las Brujas. Tem muita coisa lá. Comprei uma bolsa, luvas, cachecol. Dá vontade de levar tudo, tem que tomar cuidado, rs. Compramos algumas maçãs e uvas pra beliscar durante a viagem.
Também procuramos o passeio para o Vale da lua e foi difícil achar, pois normalmente eles fazem esse passeio conjugado com o Chalcataya, que decidimos não ir mais. Durante as compras, vimos uma empresa que nos ofereceu um carro privado pra fazer esse passeio. Pegamos o cartão dele e, depois de pesquisar muito, retornamos lá, pois tinha o melhor preço. Fora que o atendente foi muito atencioso conosco. Compramos o passeio por 120 BoBs e ele nos pegaria no dia seguinte no hotel, às 9 da manhã.
Paramos para tomar um café numa cafeteria de uma pousada. Como não gostei do café servido no avião (que era verde, inclusive), pedimos capuccino. Delícia.
Terminadas as compras, voltamos pro hotel. Tomar banho e descansar. Devido a altitude, se cansa muito rápido. E La Paz é cheia de altos. Nosso hotel ficava no topo de um.
Chegando no hotel senti uma dor de barriga leve, que foi aumentando, aumentando e se transformou numa diarreia generosa. Era o capuccino se apresentando pra sair antes da hora. Não posso dizer que era contaminação alimentar. Tenho intolerância a alguns alimentos, e acredito que leite é um deles. Nada de derivados de leite de agora por diante.
De noite fomos jantar. Dessa vez saímos do hotel. Encontramos uma casa especializada em carnes numa rua bem charmosa, com vários restaurantes. Vitor pediu um bife flambado e eu um filé de lhama. Tenho que dizer: se pudesse, trocaria a carne comum por esse filé pro resto da vida: delicioso e macio.
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| O flambado era um espetáculo à parte. Todos paravam de comer pra fotografar. |
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| O suculento bife de lhama |
O restaurante era muito bom, mas me incomodava muito a fumaça. Devido aos flambados, a fumaça ficava dentro do restaurante. Nossas roupas e cabelos ficaram impregnadas de fumaça.
Comemos e voltamos pro hotel. O Vitor com passo acelerado, com medo de assalto ou algo assim. Nada aconteceu. O clima é de segurança na Bolívia, senti isso vendo as mulheres e crianças transitando na noite sozinhas, mesmo nos locais mais escuros. Me deu inveja de morar num lugar desses.
Voltamos ao hotel e caímos na cama com muito sono.
E no dia seguinte...
Acordamos um pouco mais tarde que no dia anterior. Tomamos café e descemos para esperar o motorista. Ele chegou pontualmente às 9 e nos levou para o passeio.
Durante o trajeto pudemos mudar um pouco a imagem que tivemos até agora da Bolívia, pois passamos por bairros mais organizados - os bairros ricos de La Paz. Se não me engano se chama Miraflores. Lá também é onde moram os políticos da Bolívia, segundo nosso motorista/guia. Inclusive o Presidente.
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| Bairro chique de La Paz. Aqui próximo mora o Evo Morales. |
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| Um dos parques verdes que encontramos durante o trajeto. Paisagens bem diferentes do que tínhamos visto até então. |
Chegando no Valle, compramos ingresso e o motorista ficou nos esperando. O vale é bem grande. Para explorá-lo há duas opções: uma trilha de 15 e e uma de 45 minutos. Fizemos a segunda. Andando e parando pra tirar fotos, durou uma hora e vinte, mais ou menos. O lugar é inspirador. Ele, por si só já pede uma sessão de fotos. Acho que se morasse por lá, já conheceria como a palma da mão, de tanto que iria pra fotografar. Além de ser lindo, também proporciona visões panorâmicas magníficas. Fiz muitas fotos de paisagens por lá. É cheio de altos e baixos e lugares perigosos. Tem uma pontes que atravessam as crateras que olhando pra baixo dão vertigem, ainda que tenham um diâmetro pequeno. Imagino a profundidade daquilo.Fiquei segurando meus pertences atentamente, com medo de cair num vão daqueles e nunca mais recuperá-los.
A seguir algumas fotos do local. Escolhi as que mais representam o local, dentre as centenas que tiramos por lá.
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| YAY! |
Terminado o passeio, voltamos para a entrada e pedi ao nosso motorista pra nos deixar no Mirador Killi Killi. Aproveitar para não pagar táxi, rs. Chegando lá, o local estava deserto. Nem parecia ponto turístico. O que é ótimo. Dá pra aproveitar bem. Os únicos turistas que encontrei foram três francesas que estavam se virando nos trinta pra fotografar a si mesmas. Me ofereci pra fotografá-las. Aproveitei pra treinar meu francês um tiquinho, rs.
Depois de fotografá-las, fui tirar as minhas fotos. Poucas pois não há muito o que se explorar por lá. Elas também tiraram algumas minhas e de Vitor, o que é ótimo, pois temos pouquíssimas fotos juntos, e a grande maioria é auto-retrato.
Saímos e pegamos um táxi para o centro. 10 bolivianos. Fomos direto almoçar, dessa vez no Burguer King. Vitor pediu sanduba novamente e eu, advinha? Frango frito! Ai que saudades daquilo. Só de pensar dá água na boca!
Fomos caminhar de volta pro hotel. No caminho passamos por uma chola que vendia meias calças. Eu adorei a barraca dela, tinha meia de tudo quanto é cor, do jeito que eu gosto. Deu vontade de comprar tudo, mas escolhi só 3. Passamos na igreja São Francisco e de lá seguimos para o hotel.
De tarde preparei as malas. Tive um susto nessa tarde. Estava de blusa e roupa de baixo quando de repente escutamos alguém girando a chave na porta, abrindo. Comecei a gritar: "hay gente! hay gente!" Mas a criatura não ouviu. Rapidamente puxei a blusa pra cobrir a parte de baixo, exatamente no momento que ela abriu a porta. Por pouco não me pega só de calcinha e proporcionava uma bela visão pro gringo junto dela, rs. Quando a pessoa viu que tinha alguém no quarto, faltou infartar. "I'm sorry!I'm sorry!" tremendo, pediu. Eu me vesti e fui lá ver o que ela queria. Ela estava trêmula, pedindo desculpas e tentando encontrar palavras em inglês para explicar que pensava que o quarto estava vazio. Pedi que falasse em espanhol e falei que não tinha problema, mas se tivesse entrado 10 segundos antes, me pegaria pelada, aí sim, seria problema! Bônus pro gringo.
De noite fomos jantar num restaurante italiano chamado Little Italy. De entrada pedimos bruschetas que estavam de comer rezando. Vitor pediu um bife à milanesa com acompanhamento de massa com molho vermelho e eu frango à milanesa com acompanhamento de massa com molho branco. Tudo delicioso e bem servido! Comemos que deixamos no prato.
Infelizmente as fotos não são as melhores pois foram no celular. Mas já dá pra deixar uma água na boca, não dá não?
Terminando tudo, voltamos pro hotel e fomos direto dormir. Dia seguinte era dia de acordar supercedo e pegar avião. Estava apreensiva pois tinha visto em um blog um relato de uma viajante que não gostou muito da viagem com a Amaszonas, empresa que utilizaríamos para chegar a Uyuni. Mas também estava super excitada pra conhecer o Salar. Este era o ponto alto da Bolívia pra mim.
E para terminar, uma imagem da vista noturna da cidade de La Paz, que, se for preciso defini-la com uma palavra só seria: intrigante.
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| Belleza de ciudad |
Hasta La Paz









































